Após 2 meses, intervenção no Rio está sem rumo e violência permanece em alta, mostra pesquisa

O fracasso da intervenção militar na segurança (e nas contas) perpetrado pelo governo federal no Estado do Rio de Janeiro vai ficando ainda mais claro à medida que o tempo passa e os índices de violência não caem.

A esse respeito, são autoexplicativos o título e as conclusões do primeiro relatório emitido nesta quinta (26) pelo Observatório da Intervenção, o grupo de pesquisadores do Centro de Estudos da Segurança e Cidadania (CESEC, da Universidade Cândido Mendes) que acompanhou o dia a dia da ocupação militar do Estado do Rio de Janeiro desde quando foi decretada em fevereiro pelo ilegítimo governo federal.

O estudo, intitulado “À deriva – Sem programa, sem resultado, sem rumo”, traz, entre as seis principais conclusões, uma que se destaca pela clareza com que prova o erro brutal do uso das forças armadas na segurança pública: “Todos os indicadores de crimes contra a vida e o patrimônio se mantiveram nos patamares alarmantes do Carnaval; alguns pioraram”.

Recorde-se: foram utilizadas como justificativa na decisão de ocupar militar e administrativamente o Estado do Rio as imagens de arrastão nas praias cariocas no Carnaval de 2018, quando a escola de samba Paraíso do Tuiuti desqualificou a imagem do presidente golpista Michel Temer caracterizando-o como um vampiro.

O samba retrata o País melhor do que a Globo

As imagens dos assaltos na orla foram produzidas pela TV Globo, mas a emissora não revelou que os índices de violência, embora altos, mantiveram-se nos patamares dos anos anteriores.

Baseados no acompanhamento das ações da ocupação, os pesquisadores do CESEC ainda concluíram que: 1. “A intervenção não resolve problemas estruturais e cria outros” e 2. “Interesses políticos do Planalto motivaram a decretação da intervenção federal na segurança do Rio. Definida às pressas, sem planejamento, recursos ou metas, continua na base do improviso, mesmo após dois meses”.

A pesquisa destaca também que “de 16 de fevereiro a 16 de abril, os tiroteios, balas perdidas, pessoas feridas e mortas e casos de chacinas (três ou mais mortes num único evento) aumentaram”

E segue: “A plataforma colaborativa Fogo Cruzado, que registra tiroteios e violência armada, comparou ocorrências na cidade e no resto da região metropolitana antes e depois da intervenção. Os resultados são alarmantes: de 16 de fevereiro a 15 de abril, foram registrados 1.502 disparos e tiroteios, que produziram 284 mortos e 193 feridos. O período anterior, de 16 de dezembro a 15 de fevereiro, registrou 1.299 eventos”.

“O Fogo Cruzado também registrou 12 chacinas, com 52 vítimas nesses dois meses. No mesmo período em 2017, houve seis chacinas, com 27 mortos. A existência de vítimas múltiplas em episódios de intervenção policial e de confronto de facções criminosas pode estar-se tornando uma marca deste novo momento do Rio sob intervenção”.

Durante os dois primeiros meses da intervenção, ocorreu ainda o crime que chocou a opinião pública internacional porque reflete bem aquele tipo de pessoa sobre quem mais recai o peso do fechamento de regimes: a execução de uma parlamentar socialista e o assassinato de seu motorista,

“14 de março – A vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Gomes são executados, à noite, no Estácio, ao sair de um debate. No dia seguinte, milhares de pessoas ocupam as ruas, no Rio de Janeiro e no Brasil, para protestar e pedir a apuração do caso, um crime político. Nas semanas seguintes, Marielle se tornaria um símbolo mundial da luta pelos direitos humanos e contra a violência. Os homicídios ainda não foram esclarecidos”.

O documento “À deriva – Sem programa, sem resultado, sem rumo” segue, abaixo, na íntegra, para quem acessar esta matéria pelo computador.

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