Número de tiroteios no RJ aumentou após chegada das Forças Armadas, diz relatório do Observatório da Intervenção

Segundo dados de aplicativo, os dois meses pré-intervenção tiveram 1.299 tiroteios no estado, enquanto nos dois meses seguintes ao decreto, o número aumentou para 1.502.

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http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/videos/v/continua-a-descoordenacao-na-area-de-seguranca-diz-observatorio-sobre-intervencao/6691700/

Observatório da Intervenção divulgou na manhã desta quinta-feira (26) um relatório com números obtidos nos dois primeiros meses da intervenção militar na segurança pública no Estado do Rio de Janeiro. Em um apanhado de informações divulgadas pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), de dados coletados pelo aplicativo Fogo Cruzado, de pesquisas oficiais e de dados divulgados pelo Comando Militar do Leste, o estudo concluiu que o número de tiroteios aumentou.

Outro fenômeno que preocupou os especialistas foi o aumento no número de chacinas em comparação com o mesmo período do ano passado.

Foto: Infográfico: Cláudia Peixoto/G1

Usando como base dados do aplicativo Fogo Cruzado, os dois meses pré-intervenção (janeiro e fevereiro) tiveram 1.299 tiroteios no Estado do Rio de Janeiro. Nos dois meses seguintes ao decreto (março e abril), o número aumentou para 1.502 trocas de tiros.

“Quando a gente compara o que aconteceu no Rio de Janeiro nos últimos dois meses, sob intervenção, com o que havia antes, que foi o que a justificou, a gente percebe que as condições de segurança e criminalidade se mantiveram em um nível tão alto como o que estava antes ou pioraram como no caso dos crimes contra o patrimônio e dos roubos de rua”, destacou Silvia Ramos, coordenadora do Observatório da Intervenção.

Mais chacinas

De acordo também com os dados do aplicativo Fogo Cruzado, os meses de março e abril do ano passado registraram seis chacinas com 22 vítimas. Este ano, nos mesmos meses, foram 12 chacinas com 52 mortos. Os pesquisadores usaram o termo “chacina” para eventos que contaram com 3 ou mais mortos.

Já segundo a coleta de dados divulgados pela imprensa e pelo Comando Militar do Leste, desde o começo das ações coordenadas pelos militares 70 operações aconteceram, envolvendo mais de 40 mil agentes. Durante essas ações, 25 pessoas morreram, 140 armas foram apreendidas, sendo 77 pistolas, 42 fuzis, 20 revólveres e uma espingarda.

Vigilância

O Observatório da Intervenção é formado por pesquisadores e entidades da sociedade civil que procuram identificar, analisar e divulgar os impactos da Intervenção Militar na segurança pública do Rio de Janeiro. O laboratório faz parte do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Ceseg) da Universidade Cândido Mendes e conta com entidades apoiadoras como a Defensoria Pública, o Ministério Público Federal e a Anistia Internacional.

O relatório também questiona a falta de transparência dos dados divulgados sobre a intervenção na segurança. Os pesquisadores afirmam que faltam informações sobre o custo das operações e sobre metas a serem atingidas.

“É muito preocupante que a gente veja o aprofundamento de um modelo de política de segurança pública que não reduz a violência, que a gente sabe que não dá certo, que vai custar muito caro, que não tem transparência e que vai resultar em mais violações de direitos humanos”, destacou Renata Neder, coordenadora de pesquisas da Anistia Internacional no Brasil. Ela também citou os efeitos da militarização da segurança pública no México, que viu um crescimento no número de alguns tipos de crimes.

Questionado sobre o relatório, o Gabinete de Intervenção Federal afirmou ao G1 que está dedicado aos objetivos estabelecidos de diminuir progressivamente os índices de criminalidade e fortalecer as instituições da área de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro. Ainda segundo ele, medidas emergenciais e estruturantes estão sendo tomadas e serão observadas ao longo do período previsto de intervenção.

O governador Luiz Fernando Pezão disse que não tinha informações sobre o relatório. “Depois de ver a gente comenta. Só hoje recebi aqui o informe de que a gente já apreendeu só este ano 90 fuzis. Isso não é trivial. Então, é um trabalho grande, um trabalho imenso, a gente tem de cada vez mais valorizar o trabalho dos nossos policiais”.

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