Pesquisa mostra que moradores de favelas dizem que UPP ‘não faz diferença’

Pesquisa mostra que 60% dos moradores de comunidades com UPP querem permanência da PM

Dos quase 2.500 ouvidos, cerca de 60% preferem que programa continue, mas pedem melhorias. Percepção positiva é maior nas comunidades do Centro e Zona Sul.

Uma pesquisa feita Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec), da Universidade Cândido Mendes, mostra que, dez anos após a implantação do programa de Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), o projeto de segurança “não faz diferença“ para a grande maioria dos moradores, que não teve seu dia a dia alterado. Os moradores de comunidades do Centro e Zona Sul têm uma percepção mais positiva do programa. E apesar da indiferença, quase 60% dos ouvidos gostaria que o programa continuasse, mas que fossem feitas melhorias.

De acordo com a pesquisa, a sensação dos moradores é de que as ações foram projetadas para durar até os Jogos Olímpicos e que a política do confronto voltou a vigorar após o evento esportivo.

A pesquisa foi realizada com moradores de 37 comunidades com UPPs, antes da entrada das unidades, no início e no momento atual. Os 2.479 moradores foram entrevistados entre 8 de agosto a 25 de outubro do ano passado. Entre os aspectos positivos da implantação do programa, os moradores citaram as obras de infraestrutura e acesso a serviços públicos e projetos sociais e liberdade de ir e vir. Mas destacaram como ponto negativo o aumento dos aluguéis, êxodo dos moradores, tiroteios, mortes, roubos e estupros entre outros crimes.

A pesquisadora Leonarda Musumeci diz que moradores se ressentem de um aprofundamento da ideia de polícia de proximidade. E que a falta de infraestrutura e serviços e a violência são os fatores que mais incomodam os moradores, que se ressentem da pacificação prometida e não concretizada.

“Durante muito tempo a avaliação sobre o sucesso das UPPs se concentrou no controle dos territórios, redução da violência letal e diminuição dos tiroteios, deixando em segundo plano a necessária reforma institucional da polícia”, avalia a pesquisadora.

Existem diferenças significativas entre UPPs de distintas regiões da cidade. Ou seja, moradores do Centro/ Zona Sul são os que mais afirmam que a UPP trouxe benefícios (48%) e os da Zona Oeste, os que menos acreditam nisso (23%). Moradores da Zona Oeste, ao contrário, acham que a UPP trouxe problemas em proporção muito maior que os da região Centro/Sul (45% contra 18%).

O que se percebe é que o programa tem funcionado bem melhor nas áreas “nobres” do Rio, onde se registrou uma parcela mais baixa de pessoas abordadas repetidamente, maior percepção de impactos positivos da UPP sobre a economia local, sensação de segurança maior e melhor avaliação dos policiais.

Mesmo assim a maioria, (quase 60%) prefere que as UPPs continuem, porém com modificações. Mulheres são mais favoráveis à permanência do que os homens (66 a 58%) e brancos, mais do que negros (70 a 61%). Entre as modificações necessárias para a permanência das UPPs e apoiadas pelos moradores estão: fim das incursões violentas da polícia e dos tiroteios, melhor treinamento dos policiais para que lidem de forma respeitosa com a população, punição dos desvios cometidos pelos agentes, melhores condições de trabalho para os policiais; mais efetividade no controle dos criminosos e a tão prometida oferta de outros serviços públicos além do policiamento. Cerca de 79% dos entrevistados afirmaram que uma das medidas que ajudariam muito a melhorar o desempenho da UPP seria a punição aos maus policiais.

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