O livro “As Vítimas Ocultas da Violência na Cidade do Rio de Janeiro” (Editora Civlização Brasileira) será lançado novamente hoje ao final do seminário As Vítimas Ocultas da Violência, organizado pelo CESeC (Centro de Estudos de Segurança e Cidadania), da Universidade Candido Mendes, das 9h às 18h, no Hotel Excelsior, na Avenida Atlântica, em Copacabana. O livro faz parte da Coleção Segurança e Cidadania.
A pesquisadora Silvia Ramos, que atua no CESeC, me informa o seguinte:
“Foram realizadas 690 entrevistas no Rio de Janeiro, com vítimas indiretas da violência: parentes e amigos próximos de pessoas que tiveram mortes violentas. A partir das entrevistas foi possível determinar, por exemplo, que:
86% dos entrevistados costumam se lembrar da morte do parente ou amigo, aproximadamente metade, quase todos os dias;
73% dos que costumam se lembrar têm fortes reações emocionais e nada menos de 37% tem reações físicas;
Muitas coisas e situações podem lembrar a tragédia: data e lugares são as mais freqüentes, mas pessoas também (ex.: filho da vítima), assim como notícias, situações parecidas e objetos. Até vozes, cheiros e luzes podem lembrar as vítimas ocultas do acontecido;
Não obstante, 75% tentam evitar lembrar a morte do ente querido;
Porém quanto mais próximo o parentesco, mais séria a conseqüência para a vítima oculta;
As mulheres sentem mais do que os homens ou expressam o sentimento mais do que os homens;
Os que viram e/ou identificaram o corpo sentem mais;
Há problemas com o sono, depressão (co-mórbida), anestesia emocional, perda de perspectiva futuro, dores de cabeça, diarréias, vômitos, flashbacks (lembranças súbitas e indesejadas), re-arranjo familiar, problemas econômicos,
O tipo de morte que mais causa trauma é o homicídio, dos quais 88% foram com arma de fogo;
Muitos suicidas dão sinal de sua intenção, um em cinco deixa nota escrita. Uma percentagem significativa tentou antes. Doenças e distúrbios mentais são muito freqüentes entre eles.
O contato com o estado e seus agentes é avaliado negativamente, seja por indiferença e/ou insensibilidade dos agentes, burocracia e até corrupção.
A ajuda psicológica é eficiente mas poucos acreditam nela:
Somente 4% buscaram ajuda psicológica
Um dos argumentos era de que não poderiam pagar;
Entre os que buscaram 73% não pagaram e
54% dos que buscaram consideram que o tratamento ajudou muito e outros 21% que ajudou bastante;
Há mais de dez milhões de vítimas ocultas no Brasil, algumas perderam mais de uma pessoa próxima. Um dos objetivos do trabalho é alertar as autoridades públicas para a necessidade de se criarem centros de trauma que possam ajudar essas vítimas ocultas da violência.”
O livro é dos pesquisadores Gláucio Soares, Daisy Miranda e Doriam Borges.