Os policiais da UPP dos morros da Coroa, Fallet e Fogueteiro — a mesma onde três soldados ficaram feridos após o lançamento de uma granada por traficantes no último sábado — não trabalham com o colete apropiado e criticam o tipo de armamento que usam no dia a dia. Ouvidos nesta segunda-feira pelo EXTRA, diversos PMs lotados na Coroa revelaram temer novos ataques. Em pesquisa feita nas nove primeiras UPPs pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec), o medo de sofrer ataques do tráfico atinge 54% dos agentes.
— O único colete disponível é tamanho extra grande. O policial precisa do colete no tamanho apropriado por causa da aderência. Se não estiver no tamanho certo, o tiro atravessa — criticou o policial X., que estava de plantão na noite do ataque: — Nem quis ver o lugar onde houve o ataque. A cena era muito forte.
Outro alvo de crítica entre os policiais da Coroa é a decisão do comando de entregar fuzis só para o Grupamento de Ações Táticas (GAT), responsável por operações complexas. Hoje, cabe a cada UPP decidir que armas entregar a cada equipe de PMs, de acordo com a necessidade.
Segundo o Cesec, 94% dos policiais das nove primeiras UPPs acham necessário usar o fuzil no dia a dia, principalmente devido à presença de traficantes e armas na favela. A pesquisa apontou que, entre os policiais estudados, predomina a visão do personagem “capitão Nascimento”, do filme “Tropa de elite”, em vez de um policiamento de proximidade, como o pretendido pelo processo de pacificação, em que o fuzil precisa ser abolido para o sucesso da própria UPP.
No entanto, a decisão do comando da UPP Coroa — que só tem quatro meses de idade — vai contra a tendência das primeiras favelas pacificadas. No Santa Marta, o uso do fuzil demorou a diminuir. O mesmo ocorreu no Chapéu Mangueira e o Pavão-Pavãozinho. Segundo a Secretaria de Segurança, está sendo negociada a compra de 4.500 coletes para as UPPs. A distribuição entre os PMs será feita de acordo com o tamanho solicitado pelo policial.
O policial Alexsander Oliveira Silva, que perdeu uma das pernas no sábado, permanece internado em estado grave no Hospital da PM.