De onde vem a munição do tráfico encurralado no Alemão

A pesquisadora de segurança pública Silvia Ramos, do Cesec, dá excelente entrevista ao jornalista Mauro Malin, do Observatório da Imprensa (leia a íntegra), dizendo exatamente o que eu penso da atual conjuntura criminal no Rio: há uma nítida sensação de que as autoridades estão um pouco perdidas, embora sejam preparadas para enfrentar o problema. Silvia está surpresa com a capacidade de fogo dos bandidos, mas isso não estou, não. Além de serem municiados por policiais da banda podre, os bandidos aprenderam muito bem a fazer a recarga (produzir a própria munição), que ainda sim precisa de pólvora, espoleta e projétil. Mas não há dúvidas de que o tráfico no Alemão continua sendo abastecido de armas, munição e drogas. A operação da PM e da Força Nacional é um queijo de suíço, como lembrou bem um delegado da Polícia Federal, amigo meu.

Outro fato que intriga Silvia é como os bandidos dispõem de grande quantidade de granadas. Na verdade, eles usam cada vez mais bombas de fabricação artesanal, que devem ter aprendido a fazer na internet. Mas as granadas defensivas, de uso privativo das Forças Armadas, são usadas por bandidos desde a década de 80. Em 88, eu mesmo vi uma bolsa cheia delas num encontro fortuito que tive com o então chefe do tráfico na Rocinha, Sérgio Bolado, e seus aliados, quando morei na favela para fazer uma reportagem. Na década seguinte, militares argentinos em busca de ganhos extras tratataram de oferecer granadas a traficantes de armas no Cone Sul. Grande parte desse artefato parou nos morros cariocas.

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