Esta pesquisa dá continuidade à iniciada em Algoritmos e Direitos: Tecnologias Digitais na Justiça Criminal que mapeou a adoção de tecnologias digitais, inteligência artificial, reconhecimento facial e câmeras corporais nas práticas de segurança pública e justiça criminal no Brasil. Se a primeira etapa mostrou que o reconhecimento facial já integra rotinas de investigação e persecução penal, ainda que em um ambiente de governança frágil, esta nova fase desloca o olhar para sua chegada ao Judiciário. Para isso, a pesquisa analisou acórdãos criminais de tribunais de segunda instância em São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Santa Catarina e Goiás. A proposta inicial era contemplar maior diversidade regional, com a identificação de casos em tribunais de todas as regiões do país. No entanto, a pesquisa exploratória não encontrou acórdãos que permitissem desenvolver essa discussão nos tribunais inicialmente observados no Amazonas, no Pará, no Rio Grande do Sul e na Bahia. A seleção final, portanto, de correu da própria disponibilidade dos casos judicializados. A escolha pelos acórdãos como fonte de análise parte da compreensão de que esses documentos não apenas registram decisões judiciais, mas organizam narrativas institucionais sobre fatos, sujeitos, provas e responsabilidades e consolidam algumas teses sobre determinadas dinâmicas. Neles, as expressões dos agentes jurídicos registradas no processo revelam formas de compreender o mundo social e posições específicas na produção da verdade jurídica.
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