Relatório do Observatório da Intervenção aponta para um aumento expressivo no número de tiroteios e chacinas no Rio de Janeiro desde o início da intervenção federal na cidade.
Segundo o relatório(link is external) “À deriva: sem programa, sem resultado, sem rumo”, conduzido pelo Observatório da Intervenção, da Universidade Cândido Mendes, houve uma duplicação do número de chacinas, passando estas de seis para doze casos entre 6 de fevereiro a 16 de abril de 2018 e em comparação com o ano passado. No período de dois meses, as chacinas vitimaram 52 pessoas, sendo que em 2017 tinham sido registadas 22 vítimas.
O relatório mostrou ainda que de 16 de fevereiro a 16 de abril tiveram lugar 1 502 tiroteios, resultando estes em 294 mortes e 193 feridos. O número desses eventos cresceu 15% em relação ao mesmo período do ano passado.
Os investigadores analisaram 70 operações num período de dois meses, reunindo 40 mil agentes que apreenderam 140 armas. “Alguma coisa está errada quando se utiliza tantos homens para apreender 140 armas”, questionou Silvia Ramos, coordenadora do Observatório, durante a apresentação do relatório.
Os dados do Instituto de Segurança Pública apresentados no relatório apontam para 940 homicídios, 209 pessoas mortas pela polícia e 19 agentes da polícia foram assassinados.
“A existência de vítimas múltiplas em episódios de intervenção policial e de confronto de fações criminosas pode estar-se tornando uma marca deste novo momento do Rio sob intervenção, o que exigirá um monitoramento com foco nesse fenómeno”, aponta o relatório.
Uma das conclusões apresentadas no documento é a de que a intervenção foi uma medida política “que traz problemas novos, com a presença dos militares na vida política dos brasileiros, que vão para o centro da cena sem que se resolvam problemas de segurança do Rio. Não só não resolveu, como os resultados são ruins, há problemas novos”, disse Silvia Ramos.
“Esses dados são suficientes para entendermos que nenhuma política de segurança vai trazer resultados aceitáveis se não for baseada na redução de tiroteios, mortes e circulação de armas”, afirmou a investigadora.