Negro trauma: racismo e abordagem policial no Rio de Janeiro

Em 2003, o CESeC conduziu uma pesquisa sobre abordagem policial e encontrou resultados que confirmaram largamente o fato de que jovens do gênero masculino, negros e pessoas de menor renda eram desproporcionalmente mais abordadas pela polícia. As avaliações de jovens negros sobre as abordagens e sobre as polícias eram mais negativas do que as daqueles que nunca tinham sido abordados, ou que tinham sido abordados eventualmente em situações menos agressivas.

Em 2021, quase duas décadas depois, foi refeita a pesquisa acrescentando novas perguntas: a frequência das abordagens policiais nas ruas da cidade aumentou ou diminuiu? A qualidade das abordagens aumentou ou caiu? Será que as diferenças quando os abordados são negros e quando as interações se dão em áreas próximas a favelas se acentuaram ou reduziram? E as avaliações da população sobre as polícias?

Os resultados evidenciam que, apesar de algumas conquistas e do posicionamento mais forte da nova geração, o corpo negro segue sendo o elemento suspeito. Mostram que o racismo constitui o cerne da atividade policial e do sistema de justiça criminal, além de revelar a dimensão traumática dessas abordagens.

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